Eu tenho meus dias cinzas, os dias que não faço questão de
ser, nem de colorir.
Eu tenho meus dias de neblina, nesses dias não importa se o
sol queima na pele, prefiro ser lápide.
Eu tenho meus dias em declive, que não importa se a parte
da descida é mais fácil porque é só a subida difícil que me interessa.
Eu tenho meus dias de ventos fortes, saio arrancando tudo do
lugar, transformando pedra em pó.
Eu tenho meus dias sós, me dispo a alma, me dispo da calma e
escolho ser furacão.
Eu tenho meus dias de tempestade, que por mais que me ofereçam
risos, eu prefiro o mergulho das lágrimas salgadas e profundas. Assim, como o
mar.
Eu tenho meus dias de
confusão, revolto, ondas fortes, podem
enganar. Nunca se sabe quando o convite é só pra um banho ou se posso afogar.
E não culpe essa minha natureza, quem aprecia sua beleza
sabe que há muita destreza por trás dela também.
Que tudo tem dois caminhos, como as rosas tem espinhos, o
destino de cada um sozinho é desabar.
E o desbunde dessa correnteza se dá nas represas de quem tem sorte de
aguentar o fim de toda rota, o fio do tornado, a linha tênue e todo o cuidado
de adentrar nesse confuso ar .
O ar da turbulência, tremido, longe de toda inocência, a iniquidade que só existe na intensidade dos intensos.
- domingo, outubro 09, 2016
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